De acordo com reportagem do
Poder360, o grupo, sediado em Nova York e ligado ao movimento religioso Falun
Gong, é alvo de uma ação coletiva movida por ex-integrantes que descrevem um
padrão sistemático de controle, jornadas exaustivas e pressão interna sobre os
bailarinos.
Os documentos apresentados no
processo, conforme relatado pelo veículo, indicam que artistas eram submetidos
a rotinas que podiam ultrapassar 16 horas diárias durante turnês, acumulando
ensaios, apresentações e atividades operacionais, frequentemente sem períodos
adequados de descanso.
Acusações incluem recrutamento de menores
e sistema de coação
Um dos pontos mais sensíveis do
caso, segundo o Poder360, está na 2ª versão revisada da ação coletiva liderada
pela ex-bailarina Chang, que descreve a existência de um sistema de coação,
controle e exploração de menores para benefício financeiro de líderes da
organização.
De acordo com a defesa apresentada
no processo, a companhia teria recrutado crianças a partir dos 11 anos de
idade, muitas delas filhas de seguidores do Falun Gong — prática religiosa
diretamente associada à estrutura do grupo.
Os depoimentos reunidos na ação,
citados pelo Poder360, também indicam a existência de mecanismos de controle
sobre a vida dos integrantes, incluindo restrições de comunicação, vigilância e
pressão contínua por desempenho, mesmo em condições físicas adversas.
Violações relatadas na ação judicial
Segundo o Poder360, a ação coletiva
descreve uma série de práticas consideradas abusivas no funcionamento interno
da companhia. De acordo com o processo citado pelo veículo, entre as práticas
relatadas estão:
-
confisco de passaportes e documentos de imigração dos
dançarinos;
-
vigilância por guardas armados;
-
proibição de saída sem autorização explícita;
-
restrição de acesso à internet e a smartphones;
-
monitoramento e limitação da comunicação com
familiares.
Outro elemento citado no processo
envolve a estrutura financeira aplicada aos artistas. De acordo com os relatos
mencionados pelo Poder360, bolsas de estudo concedidas pela organização
poderiam chegar a US$ 50 mil por ano, sendo que os dançarinos seriam ameaçados
de ter que devolver esses valores caso deixassem a companhia, o que, segundo a
ação, criaria uma barreira econômica para impedir saídas.
Também há questionamentos sobre a
remuneração dos artistas, considerada inexistente nos primeiros períodos de
atuação e, posteriormente, baixa em relação às exigências da rotina da
companhia, conforme relatado pelo Poder360.
Apresentações no Brasil ocorrem durante
andamento do processo
No Brasil, o grupo tem apresentações
previstas no Teatro Bradesco, em São Paulo, e no Teatro da FIERGS, em Porto
Alegre, ao longo da primeira semana de maio. A agenda ocorre enquanto o
processo segue em andamento na Justiça norte-americana, ainda sem decisão
definitiva, conforme destacado pelo Poder360.
Companhia nega acusações
Procurada pelo Poder360, a companhia
negou as acusações e afirmou que as alegações não refletem a realidade da
organização. Em nota citada pelo veículo, representantes do Shen Yun sustentam
que os artistas recebem formação, suporte e assistência adequada.
O caso permanece em litígio e deve
continuar a gerar repercussão à medida que novas informações forem analisadas
pela Justiça dos Estados Unidos.



